Terça-feira, Novembro 09, 2010

Divórcio Platônico

Românticos à parte – Parte 1
Divórcio Platônico

I - Quando Platão dividiu o mundo, é certo que não pensava no amor. Existiam dois mundos, um o mundo ideal, onde tudo era perfeito, e o outro, que é esse mundinho ai que vivemos. Este mundo real não passaria de uma cópia imperfeita do mundo ideal. Algo muito semelhante ocorre quando tento utilizar as máquinas fotocopiadoras, em que minha cópias ficam muito distante do ideal. Pensando assim, sou quase um Demiurgo do filosofia de Platão.
Bem neste mundo perfeito, os políticos não são corruptos, as pessoas são justas, e até mesmo os pães caem no chão com o lado da manteiga pra cima. Os concursos públicos teriam sempre vagas excedentes em relação aos candidatos e seria proibido escrever Fichamento de mais de uma página. Aliais, sequer fichamento existiria. Em alguns escritos, em um grego intraduzível, Platão chega afirmar que este mundo haveria casadinhos pra todos, e que eles seriam muito melhores que esses casadinhos do mundo real. Tal afirmação levou muita gente a não acreditar nele, já que é sempre difícil imaginar algo mais gostoso que casadinho.
O que importa, é que nesse mundo os amores seriam correspondidos. Sempre. Não importa como. Ainda que Cleo Pires tenha que namorar algo entorno de ... muitos brasileiros. E, ainda sim, seria fiel e monogâmica pra você.
O amor platônico é isso. Aquela relação perfeita. Que só fica no mundo das idéias. Um amor unilateral. Algo semelhante ao amor de pré, do tipo eu namoro ela, só que ela ainda não sabe.

II-
Quando a viu,
Fez-se silencio no mundo.
Ou tivera essa impressão
Não lhe interessava
O que estava a sua volta
Apenas ela.

Quando a ouviu,
Fez-se de cego no mundo
Nenhuma cor importava
Apenas o som, doce som
Haveria ouvido digno de ouvi-la?

Quando a amou,
Fez como se tivesse outro mundo
Sem qualquer impedimento
Em um lugar assim,
Tudo deu e daria certo

III- Ora, tanto tempo vivendo com uma mesma mulher, chega uma hora que cansa. Lembra de como foi feliz seu namoro. Sempre se viam quando queriam. Nunca esperou ela a mais ou menos. Estava sempre ali.
Tão feliz ele,que a propôs em casamento. Podia viver imortalmente com essa idéia.Em algo que lembra sadismo, casou-se no mesmo dia que ela casava-se com outro. Bastou imaginar naquele altar sua cara na do noivo. Poupou energia. E, que festa linda.
No dia seguinte, teve filhos. Gêmeos. Vida de comercial de margarina. Mas, um dia olhou para outra mulher. A patroa soube, e como não saberia, estava na sua cabeça o tempo todo. Não gostou. Você me prometeu amor eterno, ela lhe disse. A partir daí, a convivência foi terrível. Os filhos choravam, a mulher era uma constante TPM. Não agüentou. Pediu o divórcio.
Foi em um cartório qualquer para se imaginar divorciando. Aquele dia estava difícil de criar qualquer coisa. Quando ia desistir, viu sua mulher entra com seu marido. O real . Cinco anos acabam com qualquer um. E ali estava ele assinando o divórcio. Real. Assim fica fácil imaginar ... como no casamento, bastou projetar seu rosto em outra pessoa.
Pronto, estava livre. Solteiro. Mas, se compadeceu. Se essa coisas são ruins no imaginário quanto mais na vida real. Cumprimentou aquele que foi seu maior rival, mesmo que sequer ele soubesse disso. Disse a um homem triste e magoado: - Eu entendo esse momento. Realmente eu entendo ...

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